Reportagem

O adeus ao funk dos grandes palcos — e o que vem no lugar

Festivais abandonam o gênero; produtores apostam em formatos menores.

Por Larissa Mendes · 2 de julho de 2026 · 6 min de leitura

Em 2018, o funk ocupava o palco principal de seis dos dez maiores festivais do país. Em 2026, são dois.

A explicação oficial é 'diversificação de line-up'. A explicação real é briga de cachorro grande: seguro, produção e custos de segurança dispararam.

O que aparece no lugar não é o silêncio. É o funk em formato médio — casas com capacidade entre 800 e 2 mil pessoas, em bairros periféricos.

Larissa Mendes visitou quatro desses espaços entre junho e julho. A energia é a mesma dos grandes palcos; o público é mais fiel.

Um produtor de Osasco explica: 'no festival, a galera é de passagem. Aqui ela volta todo mês porque é a casa dela'.

O resultado econômico surpreende. Sem cachê de headliner e sem estrutura de arena, a margem do produtor independente é maior.

O risco: regulamentação. Casas menores operam numa zona cinzenta de alvarás e horários. Quando um fecha, outros três abrem — mas a instabilidade é grande.

O funk não sumiu. Mudou de tamanho. E talvez seja isso que o mantenha vivo.

Larissa Mendes — repórter de cultura. Escreve sobre cinema urbano desde 2019.