O adeus ao funk dos grandes palcos — e o que vem no lugar
Festivais abandonam o gênero; produtores apostam em formatos menores.
Em 2018, o funk ocupava o palco principal de seis dos dez maiores festivais do país. Em 2026, são dois.
A explicação oficial é 'diversificação de line-up'. A explicação real é briga de cachorro grande: seguro, produção e custos de segurança dispararam.
O que aparece no lugar não é o silêncio. É o funk em formato médio — casas com capacidade entre 800 e 2 mil pessoas, em bairros periféricos.
Larissa Mendes visitou quatro desses espaços entre junho e julho. A energia é a mesma dos grandes palcos; o público é mais fiel.
Um produtor de Osasco explica: 'no festival, a galera é de passagem. Aqui ela volta todo mês porque é a casa dela'.
O resultado econômico surpreende. Sem cachê de headliner e sem estrutura de arena, a margem do produtor independente é maior.
O risco: regulamentação. Casas menores operam numa zona cinzenta de alvarás e horários. Quando um fecha, outros três abrem — mas a instabilidade é grande.
O funk não sumiu. Mudou de tamanho. E talvez seja isso que o mantenha vivo.